8. A graça do perdão
Calisto sofreu particularmente pela sua concepção de perdão, em polêmica com as várias seitas rigoristas da época: tudo se perdoa, ele afirmava, desde que haja arrependimento. Recordamos a respeito o modo como Pedro é representado nas catacumbas: muitas vezes tem ao lado, o galo que lhe recordou a traição… É estranho que em Roma, a Igreja fundada por Pedro acentue tanto essa página tão feia da vida do apóstolo, uma página que teria sido melhor esquecer.
Em muitos sarcófagos e nos cubículos catacumbais há aquele bendito galo, há Jesus que, com o dedo, faz o gesto de indicar "três vezes", e Pedro com a cabeça baixa. Poder-se-ia perguntar, porque os romanos gostavam tanto de recordar essa página da vida do seu fundador. A única explicação convincente é que o fizesse para afirmar a misericórdia de Deus, a sua vontade de perdoar os pecadores, justamente num ambiente em que se negava o perdão, em tempos tão difíceis.
"Pedro - parecem dizer essas imagens - foi perdoado do mesmo pecado que vós, mais rigoristas, dizeis que não deva ser perdoado". Calisto, grande defensor do perdão universal, tinha bem presente esse episódio da vida de Pedro e, provavelmente, fez dele um dos temas mais freqüentes da sua pregação aos cristãos do Trastévere.