APROFUNDAMENTOS E PESQUISAS


6. Fractio panis

     A imagem da eucaristia , a fractio panis, é encontrada bem expressa na catacumba de Priscila e refere-se àquilo que deveria ser o rito essencial celebrado nos titula, nas várias domus ecclesiae, como as que existiam em Trastevere (titula de Cecília, de Crisógono, de Calisto). A fração dos pães não era um gesto que iniciava qualquer agape, mas era circundada por um complexo litúrgico: canto dos salmos, leitura dos profetas, homilia do celebrante, etc. Entre as várias representações de banquetes alusivos à Eucaristia, optamos por aprofundar a da catacumba de Priscila, onde entre os comensais, nota-se uma mulher com véu. Num banquete pagão não tinha sentido uma mulher com véu. Ao seu lado estão sete pequenos cestos de pão, que são o elemento chave especificador do significado simbólico eucarístico da cena.

     Em uma outra pintura do cemitério de São Calisto, na área de Lucina, estão presentes os mesmos pequenos cestos de pão, acompanhados de um peixe: referem-se, certamente, ao milagre da multiplicação dos pães no deserto, havendo relva sob os cestos e o peixe. O pintor quis chamar a atenção para aquele milagre, mas colocou também entre os cestos, sob os pequenos pães, um copo de vinho tinto. Jesus, no deserto, não deu vinho para beber, mas falou claramente que o milagre era realizado em previsão de algo maior. Os pães, embora referindo-se ao milagre do deserto, com a presença do vinho, exprimem a eucaristia.      Retornando à pintura da fractio panis da catacumba de Priscila, o gesto eucarístico é indicado e realizado muito bem pelo presidente do banquete, representado à cabeceira da mesa (no mundo antigo o personagem mais importante coloca-se à cabeceira).


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